terça-feira, 17 de março de 2015

A Inutilidade da CIF em Educação

POR  EM
Em primeiro lugar gostava de esclarecer que vou recorrer à cronografia, a partir da análise de alguns factos protagonizados por instituições ligadas ao ministério da Educação e Ciência ou pelo próprio ministério, para abordar o assunto que me propus tratar.
Começo por um artigo publicado no Público, em julho de 2010, no então governo de José Sócrates, intitulado, “Escolas admitem ter dificuldades com lei de educação especial”, que relata a apresentação dos resultados preliminares de uma avaliação externa feita à aplicação do Decreto-Lei n.º 3/2008, de 7 de Janeiro, a pedido do Ministério da Educação (ME). Após ter efetuado a leitura do referido artigo e de ter analisado o diaporama apresentado pelo ME no passado dia 2 de Julho no Centro Cultural de Belém, é-me difícil permanecer quedo e mudo perante tanto atrevimento científico, para já não mencionar a pompa e circunstância de uma cerimónia que nada trouxe de novo que não fosse o que já há muito se sabia, a inexplicável existência de um Decreto-Lei tão penalizador para a maioria dos alunos com necessidades educativas especiais (NEE). Contudo, no que se esperava ser o virar de página de mais um capítulo na educação, com a nomeação, já lá vão quatro anos, de um novo ministro da Educação (no presente governo de Passos Coelho), verifico que este não foi o caso, continuando reticente quanto à qualidade das respostas educativas presentes na educação de alunos com NEE. No cerne desta minha preocupação estão, essencialmente, três factores: A discriminação que o Decreto-Lei faz à maioria dos alunos com NEE; o processo que deveria levar a intervenções eficazes para esses alunos; e, finalmente, a utilização da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF). Este último factor (uso da CIF para determinar a elegibilidade de um aluno com possíveis NEE para os serviços de Educação Especial) é o que tem recebido maior atenção, tendo até sido alvo de tratamento especial por parte de todos os partidos com assento parlamentar, do Conselho Nacional de Educação e do próprio ministério da Educação e Ciência com a elaboração de um relatório publicado em julho de 2014. Contudo, por ter sido também esta Classificação que colheu maior relevo no supracitado “Encontro de 2 de Julho”, aqui ficam alguns esclarecimentos para análise daqueles interessados sobre estas matérias.
Em primeiro lugar, convém esclarecer que a CIF nasce a partir da Classificação Internacional de Doenças (CID) (1972), emanada da Organização Mundial de Saúde (OMS), sendo, a partir de 1995, alvo de muita investigação e de sucessivas revisões com o intuito de vir a ser usada para determinar o estado de saúde (nunca educacional) das populações. Em 22 de Maio de 2001, a CIF é aprovada, já no seu estado definitivo, através da resolução 54.21 da OMS, tendo como objectivo o estudo dos estados de saúde e dos aspectos relacionados com a saúde de um indivíduo numa determinada situação sanitária. Em Outubro de 2007 é apresentada em Veneza uma adaptação para crianças e jovens (preferiria o termo adolescentes), designada por Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde para Crianças e Jovens (CIF-CJ), embora não seja esta Classificação que consta no Decreto-Lei 3/2008, mas sim a Classificação para adultos. Contudo, qualquer uma das classificações levanta muitas dúvidas quanto ao seu uso em Educação, uma vez que é bastante escassa (quase inexistente) a investigação que trate da importância, quer da CIF, quer da CIF-CJ, na determinação da elegibilidade de alunos com possíveis NEE para serviços de Educação Especial. Dos poucos estudos que se conhecem, os seus resultados são inconcludentes, para não dizer, muito pouco favoráveis. A título de exemplo posso citar as afirmações do Professor Robin MacWilliam (Siskin Children Institute, 2010), em que, no que respeita ao uso da CIF-CJ, diz que “Existem poucos estudos sobre o uso da CIF-CJ, embora todos eles tenham evidenciado desafios significativos quanto àquilo que se pretende codificar para cada aptidão.” Diz, ainda, “Levámos cerca de três anos a explorar a adopção da CIF numa clínica pediátrica de diagnóstico desenvolvimental e comportamental, com muito pouco sucesso.” Também os resultados de um estudo, efectuado em 2010 por Correia e Lavrador (ver site do IPODINE na rubrica “Publicações”), demonstram que a CIF não é uma classificação que sirva os interesses dos alunos com NEE, muito menos para determinar a elegibilidade de um aluno com possíveis NEE para serviços de Educação Especial e consequente elaboração de um PEI, pelo que a sua inserção numa lei, neste caso no Decreto-Lei 3/2008, de 7 de Janeiro, não se compreende de todo, tanto mais que nem sequer foram observadas as normas que devem reger uma investigação criteriosa.
Assim, as afirmações feitas no artigo do Público, conjuntamente com a análise da informação apresentada no dia 2 de Julho, demonstram não só a falta de rigor metodológico em que se apoiam os dados preliminares, mas também a pobreza de discurso que se usa no tratamento desses mesmos dados e, até, no contexto educacional em que os alunos com NEE estão inseridos. Que é isso de “alunos incluídos na educação especial”, de “alunos que são excluídos pelas regras da CIF”, de “plano individual”, de as escolas estarem a ter dificuldades, “mas, mesmo assim, conseguem dar alguma resposta” (Alguma resposta? Como que os alunos fossem apenas uns “coitadinhos” que, se acertarem no loto educacional, terão direito a respostas. Pais alerta precisam-se!) Também dizer-se que a CIF “permite apurar mais informação para sustentar a tomada de decisões” é querer atirar-nos areia para os olhos. Não é o autor desta afirmação, Professor Rune Simeonsson, que disse em 2005 e, mais tarde, em 2010, que a “implementação da CIF está dependente da existência de instrumentos de avaliação que possam fornecer informação para atribuir níveis de severidade aos códigos da CIF”? No mínimo, muito estranho.
Mais, o Conselho Nacional de Educação, também a este propósito, elaborou, em 2014, um relatório em que é evidente a sua posição, quanto a mim, roçando os vértices da ignorância, de concordar com o preceituado no Artigo 6.º (Processo de avaliação), Ponto 3, do Decreto-Lei3/2008, de 7 de Janeiro, em que se exige o uso da CIF para determinar a elegibilidade e, em caso afirmativo, a elaboração de um Plano Educativo Individual (PEI) para os alunos com possíveis NEE. Este relatório serviu de base a uma Resolução da Assembleia da República (N.º 15/2015, de 19 de Fevereiro) que, também ela, nada diz sobre o assunto.
Perante toda esta trapalhada, o que é necessário é que se criem ambientes educativos seguros, desafiantes e respeitadores dos direitos dos alunos com NEE, para que um dia venham a atingir um nível de independência que os conduza a uma vida de qualidade, produtiva, tornando-os cidadãos e membros activos da sociedade onde se vierem a inserir, sociedade essa cuja imagem de marca deve ser a forma como trata os seus membros que não são “verdadeiramente” como os outros. Se esta premissa me parece universal, então o desafio está no modo como a devemos concretizar. Retirar a CIF do preceituado no Decreto-Lei 3/2008 será um primeiro passo para que, assim, se possam eliminar barreiras que poderão pôr em risco o desenvolvimento harmonioso e as aprendizagens dos alunos com NEE.
Neste sentido, é bom recordar a quem tutela a Educação que as decisões educacionais e políticas se devem basear nos resultados da investigação e nas boas práticas educativas, caso contrário, continuaremos a assistir à deterioração constante de um conjunto de serviços (de educação especial) que deveria ser o garante de uma educação de qualidade para todos os alunos com NEE.
Luís de Miranda Correia
Professor Catedrático Emérito, Universidade do Minho

Sopas e sopinhas

No âmbito das comemorações da Semana da Saúde, promovida pela "Saúde Escolar" e o Departamento de Matemática e Ciências Experimentais, de 16 a 20 de março, o atelier de Cozinha e Atividades Domésticas teve um contributo especial.
As docentes responsáveis pelo atelier supervisionaram a confeção de sopas pelos alunos, que desenvolvem um Currículo Específico Individual. Os alunos realizaram todas as etapas de preparação de cada uma das quatro sopas escolhidas. Estas foram: o creme de legumes, a sopa de peixe, a sopa de feijão branco e a canja de galinha.
Os alunos também colaboraram com os seus colegas na distribuição das sopas junto da comunidade escolar.
Esta iniciativa visa sensibilizar os alunos e restante comunidade escolar para os benefícios de ter uma alimentação saudável e equilibrada, onde a sopa poderá ter um papel fundamental.


Preparação dos alimentos para as sopas

 


Alimentos saudáveis e nutritivos 
Toca a desfiar o frango para a canja!

Preparar com atenção o peixe para a sopa. Cuidado com as espinhas!
Hora de provar as sopas

Quem quer esta sopa?

Huummm!!!.... Que cheirinho! Também queremos.

Com cuidado a servir... Bom apetite!!!









Workshop - Técnica do Fuchico

No dia 11 de março, quarta-feira, aconteceu mais um workshop na nossa escola dinamizado pela professora Beatriz Gomes, da Universidade Sénior, destinado aos alunos com Currículo Específico Individual. Neste workshop abordou-se a Técnica do Fuchico e os alunos realizaram trabalhos onde puderam aplicar a mesma.
A manhã passou-se em boa companhia e todos os alunos aderiram com entusiasmo à atividade, produzindo flores lindas e coloridas já a pensar no primeiro domingo de maio.

Aqui fica a foto reportagem do workshop.











A professora Beatriz Gomes, da Universidade Sénior, a demonstrar duas das etapas iniciais da técnica do fuchico    
Flor feita por uma aluna
                         


Uma dupla muito aplicada
(aluna acompanhada pela professora do ensino regular)

Qual dos tecidos se escolhe? Como se começa?

Aluna a marcar o tecido com o molde 
Todos participam!





















Mesa animada com a azáfama criativa

Flores feitas pelos alunos com a técnica do fuchico


sexta-feira, 13 de março de 2015

Espaço Tecnológico - atelier prático

  Ao longo do primeiro e do segundo período, os alunos com Currículo Específico Individual desenvolveram projetos de trabalho no atelier Espaço Tecnológico sob o olhar atento do professor do ensino regular, responsável pela dinamização do mesmo. Este atelier insere-se no projeto "Aprendizagens para a Vida" desenvolvido no Agrupamento de Escolas Marinhas do Sal.
    O Espaço Tecnológico é um atelier essencialmente prático, onde os alunos desenvolvem a destreza manual, aprendem a função e adequação dos instrumentos /ferramentas/ aos projetos de trabalho, e as normas de segurança e higiene no trabalho.
   Os projetos já desenvolvidos culminaram em belos objetos decorativos, os quais apresentamos de seguida.

Chaveiros para manter as chaves bem arrumadas


Candeeiros com design moderno e um toque muito pessoal 

Candeeiros de mesa originais
Um quarteto colorido

E funcionam na perfeição!!!


A luz reflete a funcionalidade dos candeeiros elaborados

quinta-feira, 12 de março de 2015

“MUSICOTERAPIA” - um projeto inovador

Helena Brites, professora de Educação Musical
 e musicoterapeuta
A professora de educação musical e musicoterapeuta Helena Brites dinamizou, no dia 7 de março, a quarta sessão do “Ciclo de Sábados VII – Falando com Quem Faz”, promovido pela Pró-Inclusão: Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, na Escola E.B. S. Vicente de Telheiras, em Lisboa, com a temática “Medidas educativas—Estratégias para Apoio Pedagógico Personalizado”. Esta participação decorreu da intervenção num dos painéis do Seminário Inclusão Escolar – Cruzando conceitos e práticas, promovido pelo Centro de Formação da Associação de Escolas Lezíria-Oeste, em Azambuja.
A professora Helena Brites deu a conhecer a todos os presentes o Projeto “Musicoterapia”, que teve início no ano letivo 2009/2010 com o objetivo de acompanhar alunos com Perturbações do Espetro do Autismo. Este projeto alargou a sua ação no ano letivo 2010/2011, tendo integrado outras formas de intervenção (a dança e o teatro), bem como o acompanhamento de alunos com outras problemáticas.
Momento da dinamização da sessão pela professora
e musicoterapeuta Helena Brites
Desde o ano letivo anterior que a dimensão da intervenção se encontra enquadrada no âmbito do Projeto de Autonomia do Agrupamento de Escolas Marinhas do Sal - Rio Maior, o que permitiu alargar o acompanhamento aos alunos do Centro Escolar N.º 1, proporcionando uma intervenção em idades mais precoces, ou seja no ensino pré-escolar, e ainda o acompanhamento a outros alunos do 1.º Ciclo com necessidades educativas especiais (NEE).
Este projeto visa a aplicação dos efeitos terapêuticos da música a alunos com problemáticas diversas nos domínios cognitivo, emocional, afetivo e/ou motor, com benefícios no seu percurso académico e pessoal, verificando-se assim a sua importância como ferramenta de apoio pedagógico e multidisciplinar.
Alguns dos instrumentos musicais utilizados
nas sessões de musicoterapia


sábado, 7 de março de 2015

Estratégias para facilitar a leitura de crianças com deficiência e disfunções

A leitura é uma atividade que faz parte do cotidiano de crianças (pelo menos deveria fazer!), seja como atividade educacional ou de lazer.  E, independente da finalidade da leitura, uma coisa é certa: para que esta seja uma atividade ativa para crianças com disfunções e/ou deficiências são necessárias adaptações.
Aqui estão estratégias para usar e ajudar a facilitar a participação/compreensão da criança com disfunção e/ou deficiência durante a leitura:
Escolha livros que são cognitivamente apropriados para a idade da criança ou grupo
Preste atenção, não estamos falando de idade cronológica, estamos falando de desenvolvimento cognitivo.  Se a criança de 10 anos está funcionando cognitivamente como uma criança de 2 anos, escolha um livro apropriado. A temática pode até ser para uma criança de 10 anos, mas é necessário adaptar a história para as capacidades e necessidades cognitivas de uma criança de 2.
Sempre dê escolhas, pergunte que livro a criança quer ler . Motivação e interesse são fundamentais!
Use elementos visuais e manipuláveis
Por exemplo, você pode usar fotos/imagens dos personagens e elementos centrais da história. As imagens podem ser encontradas na internet ou feitas por você. Elementos manipuláveis podem incluir objetos do cotidiano, como uma garrafa que representa o personagem principal, um pedaço de tecido ou folhas do jardim. Explore a sua imaginação e a da criança, à medida que torna para ela a história mais palpável, mais compreensível.
Importante: não use muitos elementos​​, pois o excesso pode se tornar uma distração e não ter o efeito esperado que é estar focado na história. Fique com elementos- chave que você pode usar ao longo da história.
Faça perguntas, dê escolhas, estimule pensamentos criativos
Para uma criança com disfunção cognitiva significativa, você pode começar perguntas simples relacionadas a história e aumentar a complexidade. Se a criança tem dificuldade em responder às perguntas, dar-lhes escolhas , como “Será que o coelho vai fazer seguir o caminho ou seguir a raposa na história? ” Se para a criança esse tipo de questionamento ainda é complexo, faça perguntas que ela possa responder com sim e não.
Sempre use reforço positivo para celebrar os sucessos. Uma criança não deve sentir-se como em um teste, a leitura deve ser um momento prazeroso, confortável, envolvente e ativo; e, para isto são necessárias as instruções corretas.
Placas de comunicação podem também ser úteis para uma criança que é não-verbal ou minimamente verbal.
Use variação de entonação e expressão facial ao ler
O uso de expressão durante a leitura melhora a capacidade da criança de compreender melhor a história e responder a perguntas com mais precisão. Entonação flutuante ao longo dos momentos da história e o uso de expressões faciais são excelentes recursos para manter a criança engajada e favorece a compreensão.
Use a experiência de uma criança e crie atividades sobre a história
Relacionando a história a experiência da criança facilita a compreenssão. Por exemplo, ao ler a história de um coelho que pega tudo o que tem na frente dele podemos comparar como as crianças se sentem em uma loja de brinquedos.  “Você já sentiu que queria tudo na loja de brinquedos?” Muitos vão se identificar com isso e discutir!
Visitar uma loja de brinquedos e discutir a história pode ser uma atividade de transição que pode ajudar a criança recordar informações e trabalhar em sequencialmente e habilidades narrativas.
Use livros que tratem sobre a disfunção ou deficiência da criança ou quem sabe crie com ela uma história sobre esta temática!
Vocês têm indicações de livros infantis que expliquem doenças por meio de histórias?? Pode ser muito útil ter algumas referências!!

Retirado do seguinte link: http://www.reab.me/estrategias-para-facilitar-a-leitura-de-criancas-com-deficiencia-e-disfuncoes/

sexta-feira, 6 de março de 2015