A mostra está disponível até ao próximo dia 5 de Maio e um dia depois da
abertura ao público, nesta terça-feira, o balanço “não podia ser mais
positivo”. “Foram vendidas 10 obras, com valores entre os 200 e 400 euros”,
indica a responsável.
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Artistas com deficiência do projeto Heart fazem primeira exposição
Em Novembro passado, arrancava o Heart, um projeto que quer dar
visibilidade, promover e vender a arte criada por deficientes. Cinco meses
depois, foram vendidos mais de 40 quadros em todo o país através do site do
projeto, onde estão disponíveis vários outros trabalhos. Desde esta
terça-feira que 27 obras podem ser vistas numa exposição em Lisboa. Dez já
foram vendidas.
A exposição coletiva de 15 artistas com deficiência veio um pouco antes da
conclusão de alguns dos primeiros objetivos do Heart,
como conta ao PÚBLICO Sofia Perestrelo, presidente do projeto. “A parceria com
a Fundação PT não estava prevista como programa de acção mas há oportunidades
que não se podem perder e avançámos”, diz a responsável.
À semelhança do trabalho desenvolvido desde Novembro, o Heart aposta na
exposição patente no Espaço Andrade Corvo, em Lisboa, como mais um passo para
“desmistificar o trabalho dos artistas com deficiência”. “As pessoas ficam
surpreendidas com a qualidade das obras. Isso dá-nos coragem para continuar”,
sublinha Sofia Perestrelo.
Numa primeira fase do projecto, o Heart promoveu as obras de perto de 60
artistas da CERCICA e mais recentemente as obras disponíveis foram reforçadas
com os trabalhos realizados com pessoas que frequentam a Cerci
Oeiras. No total, são 27 os quadros à venda na exposição.
Nos planos imediatos do projeto está a inclusão no site do Heart de obras
criadas por artistas individuais com deficiência que têm procurado o projecto
para divulgar os seus trabalhos. “Para breve vamos fechar estas parcerias. É
algo que temos como foco este, até porque temos que aumentar o nosso espólio e
promover outros artistas”, aponta Sofia Perestrelo.
Ao fim de cinco meses de atividade, o Heart continua a
funcionar sem apoios financeiros externos. As verbas que ajudam o projecto a
financiar-se surgem da venda das obras dos artistas, que recebem uma parte do
valor pago pela sua obra. Até ao mês de Abril foram vendidas mais de 40 obras,
num valor total de 2000 euros.
FCT edita livro “Tecnologias de apoio para pessoas com deficiência”
por equipa acesso • 22 de Abril de 2015
No âmbito das suas competências de coordenação das
políticas públicas da Sociedade de Informação (SI), nomeadamente das políticas
que potenciam os benefícios da SI para as pessoas com necessidades especiais, a
Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) edita o livro “Tecnologias de apoio para pessoas com deficiência”.
Dos autores Pedro Encarnação, Luís Azevedo e Ana Rita
Londral, três dos melhores profissionais portugueses na área da Engenharia da
Reabilitação, este livro é um texto introdutório à temática das Tecnologias de
Apoio. As Tecnologias de Apoio são produtos, serviços ou práticas com vista à
promoção da qualidade de vida das pessoas com deficiência.
Pretende-se dar uma visão geral desta área científica
multidisciplinar, caraterizar potenciais utilizadores e apresentar exemplos das
Tecnologias de Apoio existentes atualmente no mercado, organizados por áreas
funcionais: mobilidade, manipulação, comunicação, orientação e cognição.
Descreve-se ainda o enquadramento legal da prescrição de Tecnologias de Apoio
em Portugal.
O livro destina-se a todos os profissionais da área da
Reabilitação e do Ensino Especial, utilizadores finais e, em geral, a todos os
interessados em Tecnologias de Apoio.
O livro vai ser
apresentado no próximo dia 28 de abril, às 18:45h, no auditório do INR, na R.
Conde de Valbom, 63. Estarão presentes os autores para uma sessão de autógrafos
e a apresentação estará a cargo do Prof. Castro Caldas que também prefacia a
obra. A sessão terminará com um Porto de Honra gentilmente oferecido pelo
Instituto Nacional para a Reabilitação.
Retirado de: http://www.acessibilidade.gov.pt/arquivo/922
Governo aprova programa de apoio à empregabilidade de pessoas com deficiência

O Governo vai suportar até metade os custos de adaptação dos postos de trabalho para funcionários que adquiram deficiência e vai compensar os patrões pela menor produtividade desses trabalhadores, aprovou hoje o Conselho de Ministros.
As medidas fazem parte do "Programa de Emprego e Apoio à Qualificação das Pessoas com Deficiência e Incapacidade" e, de acordo com o documento, o Governo pretende apoiar até 50% os custos de adaptação do posto de trabalho em relação às empresas que mantenham nos seus quadros funcionários que "adquiram deficiência ou incapacidade no decurso da vida profissional".
Em matéria de emprego apoiado, o Governo vai ajudar as empresas com os custos da menor produtividade dos trabalhadores com deficiência ou capacidade de trabalho reduzida.
Quer isto dizer que, "tendo por referência um valor indexado ao IAS [Indexante dos Apoios Sociais] ", que está atualmente em 419,22 euros, o Governo vai atribuir "uma percentagem do salário negociado pelo empregador com o trabalhador", que será tanto maior quanto a incapacidade do funcionário.
"Este modelo permite que possam ser abrangidos alguns trabalhadores com capacidade intelectual e possibilidade de acesso a profissões mais qualificadas, considerando o desenvolvimento tecnológico", lê-se no programa.
Relativamente às medidas de apoio à integração, manutenção e reintegração no mercado de trabalho, onde se insere o apoio à adaptação do posto de trabalho, o Programa inclui outras medidas.
Por um lado, o Governo quer que as entidades formadoras façam o acompanhamento pós-colocação dos formandos que, no final da formação, fiquem empregados por 12 meses, "beneficiando dos apoios previstos para os centros de recursos".
Por outro lado, este acompanhamento pós-colocação é alargado às empresas que mantenham ao serviço trabalhadores que adquiram deficiência na vida adulta e profissional.
De acordo com a informação do Programa, as ações de apoio à colocação têm a duração de um ano.
Relativamente às medidas previstas para a qualificação profissional, o Governo pretende que as pessoas que tenham adquirido deficiência em adultos possam ser abrangidas pela formação inicial com vista a uma requalificação profissional e conseguirem permanecer no mercado de trabalho.
Prevê igualmente "uma fase de recuperação e atualização de competências" para quem tenha uma deficiência adquirida ou precise de uma nova qualificação ou reforço das competências profissionais por via do agravamento da sua deficiência.
O "Programa de Emprego e Apoio à Qualificação das Pessoas com Deficiência e Incapacidade" traz também a marca "Entidade Empregadora Inclusiva", que substitui o Prémio de Mérito, e visa promover "a distinção pública de práticas de gestão abertas e inclusivas" por parte das entidades empregadoras, ao mesmo tempo que quer sensibilizar a opinião pública para a problemática da empregabilidade das pessoas com deficiência.
Esta marca não inclui nenhum prémio monetário, vai ser atribuída de dois em dois anos e poderão candidatar-se os empregadores dos setores público, privado, cooperativo e da economia social.
Esta distinção está igualmente prevista para as pessoas com deficiência que tenham criado a sua própria empresa ou emprego.
Dinheiro Digital com Lusa
terça-feira, 21 de abril de 2015
Robot Zeca promete desenvolvimentos com crianças autistas
Zeca é um robô humanóide que simula sentimentos como medo, alegria, surpresa e tristeza. O projeto da Universidade do Minho foi desenvolvido com crianças com autismo, que melhoraram os níveis de sucesso nas tarefas.
Para saber mais siga o seguinte link para a notícia:
http://videos.sapo.pt/ZduNkv4YkuTjtNb3zrtt#social_bt
Para saber mais siga o seguinte link para a notícia:
http://videos.sapo.pt/ZduNkv4YkuTjtNb3zrtt#social_bt
Aplicativo para crianças com Autismo ajuda a aprender expressões faciais e sentimentos: Expressions for Autism

Gabriela Guedes, TO, compartilhou o aplicativo Expressions for Autismo do desenvolvedor Edninja. Disponível em formato Freemium (você baixa gratuito e, se quiser, faz compras dentro do app para ter acesso completo) possui versões em Inglês e Espanhol.
O objetivo do app é contribuir no reconhecimento das expressões faciais que representam emoções e sentimentos. Ao jogador é apresentada uma imagem que representa uma cena cotidiana (fotografia da criança com a mãe felizes, uma criança em uma festa de aniversário, etc), e em seguida, a criança é convidada a montar uma face com o mesmo sentimento da cena, neste caso do exemplos, feliz. A face é montada escolhendo as partes do rosto, ou seja, a sobrancelha, os olhos e a boca. Quando você usar o app ela primeira vez perceberá que a expressão deve ser “copiada”, uma vez que aparece para o jogador. Ah, mas quando falamos copiada estamos falando da expressão mesmo, não importa se a criança que aparece na cena anterior é um menino ou uma menina.

O aplicativo trabalha com definição de tempo, mas que é personalizável, ou seja, não precisa ter pressa nem gera um momento de ansiedade durante o uso. É permitida a criação de vários perfis (provavelmente só na versão paga, ok?) e a graduação da dificuldade, como dissemos anteriormente.
A versão gratuita vem com 4 estágios, feliz, triste, com raiva e assustado. Cada um deles pode ser trabalhado em dois graus de dificuldade: aprendiz e mestre. Os idiomas presentes no app são inglês e espanhol (tinha que ter uma coisinha chata, né?), mas que não prejudicam a utilidade do app, mas claro reforçam o cuidado que precisamos ter na hora de usar.
Este aplicativo foi desenvolvido pensado nas sessões de terapia, mas isso não impede o uso pelos pais e familiares. O importante é conversar antes com o terapeuta da criança e pedir orientações sobre a melhor forma de usar. Afinal, não adianta ter em mãos um excelente recurso não sabendo como aproveitá-lo.
A vida do irmão de um autista: Feliz ou angustiante?

A maioria (67,51%) dos irmãos de crianças e adolescentes autistas inquirida num estudo considera que tem uma qualidade de vida satisfatória, mas aponta como aspectos menos positivos os tempos livres, as amizades e o ambiente escolar.
A conclusão consta do estudo "Qualidade de vida dos irmãos de crianças/adolescentes autistas", elaborado por Inês Bonito Pais, no âmbito da sua tese de mestrado em Ciências da Educação na Universidade Católica Portuguesa - Centro Regional das Beiras.
O estudo, que será apresentado no VI Congresso Internacional de Psicologia da Criança e do Adolescente, que decorre na quarta e na quinta-feira na Universidade Lusíada, em Lisboa, envolveu 68 crianças e adolescentes irmãos de autistas inscritos na Associação Portuguesa para as Perturbações do Desenvolvimento e Autismo (APPDA) de Viseu.
Em declarações à agência Lusa, a orientadora da investigação, Rosa Martins, explicou que o estudo surgiu da necessidade de estudar a qualidade de vida dos irmãos de crianças e adolescentes com autismo.
O estudo concluiu que "67,51% dos irmãos de crianças com autismo tem uma qualidade de vida satisfatória". Contudo, não se podem esquecer os restantes e, nessa perspetiva, pode considerar-se que "a qualidade de vida é mediana", observou.
Os valores mais positivos apontados foram as questões económicas, a provocação e o estado de humor, enquanto os aspectos mais afectados foram os tempos livres, as amizades e o ambiente escolar.
A investigadora adiantou que os valores positivos apontados foram "uma surpresa" e contrariam de alguma forma os resultados de outros estudos realizados.
"Verificámos que os adolescentes têm capacidade para gerir o problema de modo a não sentirem solidão e depressão", disse Rosa Martins, realçando também que 78% dos inquiridos consideram suficiente o dinheiro que os pais lhes dão para as suas actividades.
Disse ainda que "muitas vezes estes adolescentes são sujeitos a chacota pelos seus pares", mas o estudo revelou que têm uma grande capacidade de ultrapassar estas provocações.
A dimensão mais negativa foi a ocupação dos tempos livres. "Eles sentem que têm uma sobrecarga relativamente ao irmão e que têm uma vida limitada em termos exteriores", porque a família "isola-se um bocadinho pelas consequências sociais".
Também consideram que têm uma limitação em termos de grupos de amigos por causa de terem um irmão com autismo, adiantou.
Questionados sobre se tiveram de assumir responsabilidades especiais por terem um irmão autista, 85% afirmaram que sim, sentido que têm uma sobrecarga em relação aos colegas.
As implicações acrescidas mais referidas são "o ter de o acompanhar frequentemente" o " ter de o ajudar em tudo" e o ter "de o compreender". As raparigas expressam mais implicações na vida pessoal do que os rapazes
Já 40% sentem que os pais lhes dão muito pouca atenção, concentrando a atenção no irmão que tem problemas.
O estudo defende que tem de haver maior sensibilização dos pais no sentido de dedicarem a devida atenção à criança autista mas sem esquecer os irmãos e uma colaboração na escola.
É essencial também que os profissionais de saúde estejam atentos às dificuldades e necessidades dos irmãos ao longo de todo o processo de acompanhamento das crianças autistas.
Lusa/SOL
Retirado de: http://www.sol.pt/noticia/386669
quarta-feira, 15 de abril de 2015
Autismo: Estratégias para aumentar a autonomia nas Atividades de Vida Diária (AVDs)
Dando continuidade ao ensino de novas habilidades para crianças com autismo, vamos falar hoje sobre o treino de uma categoria de comportamentos fundamental para a qualidade de vida da criança autista e de seus familiares: o treino da autonomia nas atividades de vida diária (AVDs). Chamamos de AVDs as atividades rotineiras, ou seja, que são realizadas diariamente com funções de auto-cuidado e higiene pessoal. São elas: lavar as mãos; escovar os dentes; usar o banheiro; alimentar-se; tomar banho; vestir-se; utilização de eletrodomésticos; etc.
As crianças diagnosticadas dentro do espectro do autismo apresentam muita dificuldade na aprendizagem das atividades de vida diária, ficando dependentes de um adulto por mais tempo do que uma criança com desenvolvimento típico. Esta dificuldade se dá devido às deficiências na área da linguagem e das habilidades sociais. Ou seja, uma criança que não aprendeu a habilidade social de imitar não inicia as atividades rotineiras espontaneamente, imitando os adultos, como as crianças com desenvolvimento típico fazem com tanta naturalidade. Da mesma forma, uma criança que não desenvolveu a linguagem receptiva (compreender o que os outros dizem) não segue as instruções verbais dadas pelos adultos na execução das atividades rotineiras.
Na última semana tive a alegre oportunidade de passar alguns dias com as filhas gêmeas de uma amiga. Seguindo o caminho de seu desenvolvimento típico as meninas estão quase completando os 2 anos de idade. A minha prática diária com crianças com atraso no desenvolvimento, para as quais tudo é difícil e tem que ser muito planejado, fez com que cada minuto com estas meninas fosse uma grande surpresa para mim. Enquanto eu me arrumava para um jantar de trabalho, penteando o cabelo ou pintando os olhos na frente do espelho, sempre tinha uma das duas ao meu lado, com sua escova de cabelo fazendo igual. Então, era só eu esquecer o batom sobre a penteadeira para a pequenina pegá-lo e se dirigir ao mesmo espelho onde eu acabara de me maquiar e começar a fazer os mesmos movimentos que ela acabara de assistir atentamente.
Como eu ainda não tenho filhos, minha convivência com crianças se resume a, basicamente, crianças com algum atraso no desenvolvimento. Assim, estes dias com as filhas de minha amiga foram marcantes, pois eu vivi mais de perto a simplicidade, a naturalidade e a fluidez do aprendizado no desenvolvimento típico. Não é preciso esforço algum para uma criança com desenvolvimento típico aprender a escovar os dentes ou pentear seu cabelo, a imitação faz todo este serviço praticamente sozinha. O que a imitação não ensina, as instruções verbais do adulto corrigem rapidamente, e estas instruções não precisam ser pensadas, planejadas e quebradas em partes menores, as instruções podem ser incrivelmente naturais. Afinal, as crianças com desenvolvimento típico desenvolvem todas as habilidades verbais e sociais necessárias para compreenderem o que vêem e o que ouvem e, principalmente, estas crianças desenvolvem um interesse tão grande pelos outros indivíduos que torna altamente reforçador fazer igual a eles, parecer-se com eles, estar perto deles e fazer o que eles pedem.
É pela ausência destas habilidades sociais e verbais e pela ausência desta motivação natural por imitar e seguir a instrução de outras pessoas, que o ensino de atividades de vida diária a crianças com autismo é tão difícil e merece estratégias cuidadosas e planejadas.
As atividades de vida diária, bem como outras atividades complexas (isto é, compostas por mais de uma resposta), consistem em uma cadeia de respostas. Segundo Catânia (1999):
“Quando quebramos uma sequência de comportamentos em seus componentes, podemos começar a tratar a sequência como uma sucessão de operantes diferentes, cada um definido pela consequência reforçadora de produzir uma oportunidade de emitir o próximo, até que a sequência seja terminada por um reforçador. Esse tipo de sequência é denominado uma cadeia de respostas. (…) Qualquer segmento da sequência serve à dupla função de reforçar a última resposta e de produzir as condições que ocasionam a resposta seguinte.” (pg. 142).
Ou seja, uma cadeia de respostas ocorre quando uma variável antecedente inicial (estímulos do ambiente) evoca uma primeira resposta que produz uma consequência reforçadora que, por sua vez, além de fortalecer a resposta que a produziu, também funciona como estímulo antecedente que evoca a segunda resposta. Esta segunda resposta, então, produz uma consequência reforçadora que a fortalece e, também, evoca (como estímulo antecedente discriminativo) a terceira resposta, e assim por diante.
Vamos a um exemplo prático: o comportamento de lavar as mãos consiste em uma cadeia de respostas, já que o estímulo antecedente “mãos sujas” evoca a resposta de ir até o banheiro, o que produz como consequência a visão da torneira. Esta consequência evoca a resposta de abrir a torneira, que produz a consequência “água”, que por sua vez evoca a resposta de molhar as mãos. As mãos molhadas são o estímulo discriminativo para pegar o sabonete. O sabonete nas mãos é o estímulo discriminativo para ensaboar as mãos, o que produz como consequência as mãos com espuma, que é a estimulação antecedente que evoca a resposta de enxaguar as mãos. Com as mãos molhadas temos o estímulo antecedente que deve evocar a resposta de enxugar as mãos. Vejamos este exemplo na tabela abaixo. As consequências de uma resposta são também o estímulo antecedente para a próxima resposta.
ESTÍMULO ANTECEDENTE
|
RESPOSTA
|
CONSEQUÊNCIA
|
MÃOS SUJAS
|
IR ATÉ O BANHEIRO
|
VISÃO DA TORNEIRA
|
VISÃO DA TORNEIRA
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ABRIR A TORNEIRA
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ÁGUA
|
ÁGUA
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MOLHAR AS MÃOS
|
MÃOS MOLHADAS
|
MÃOS MOLHADAS
|
PEGAR O SABONETE
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SABONETE NAS MÃOS
|
SABONETE NAS MÃOS
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ENSABOAR AS MÃOS
|
MÃOS COM ESPUMA
|
MÃOS COM ESPUMA
|
ENXAGUAR MÃOS
|
MÃOS MOLHADAS
|
MÃOS MOLHADAS
|
ENXUGAR AS MÃOS
|
MÃOS LIMPAS E SECAS
|
Ainda segundo Catânia (1999):
“Algumas sequências de comportamento podem ser reduzidas a unidades menores e, dessa forma, a análise dos componentes pode ser confirmada experimentalmente, verificando-se o quanto os componentes são independentes uns dos outros.” (pg. 142).
Com base nesta teoria, foi desenvolvida uma das principais estratégias comportamentais utilizadas no treino de AVDs, que recebe o nome de Análise de Tarefas (Task Analysis). Esta estratégia consiste em dividir uma tarefa complexa (cadeia de respostas) em seus componentes e ensinar cada tríplice contingência separadamente, com as ajudas necessárias para cada resposta e o reforçamento contingente à conclusão de cada passo, atingindo, posteriormente, a realização da tarefa de forma completa e independente. Esta estratégia garante o sucesso da criança e o reforçamento a cada etapa cumprida, tornando o aprendizado mais motivador e menos custoso do que se tentarmos ensinar a atividade inteira de uma só vez.
Por exemplo, num treino da tarefa de escovar os dentes devemos, primeiro, dar as ajudas necessárias para a criança abrir a pasta de dentes e, assim que ela fizer isso, já reforçamos esta resposta. Depois, ajudamos a criança a colocar a pasta na escova e, então, reforçamos esta resposta, e assim por diante. Para as crianças autistas, entretanto, as consequências naturais de cada resposta (como exemplificadas na tabela acima) não serão suficientes para fortalecer a resposta anterior e nem evocar a próxima resposta. Por isso, é necessário utilizar reforçamento arbitrário, por exemplo, sempre que a criança fizer algo adequado (como retirar uma peça de roupa, com ou sem ajuda) devemos elogiá-la muito (reforço social) e consequenciar seu comportamento com algo que ela goste ou se interesse (um carrinho, uma música, um vídeo, etc). Esta consequênciação positiva aumenta a chance de o comportamento correto se repetir no futuro. Após o reforçamento, o adulto deve retirar o reforçador e combinar com a criança que ela o ganhará de volta assim que cumprir a próxima etapa da tarefa (próxima resposta da cadeia). Com isso, a atividade torna-se prazerosa e a criança vai adquirindo autonomia.
As contingências que compõe a cadeia de resposta podem ser ensinadas paralelamente (todas ao mesmo tempo), quando a criança já tem alguns pré-requisitos como imitação e seguimento de instruções. Se o ensino paralelo não for eficiente, o analista do comportamento deve orientar os pais e/ou cuidadores a fazer o ensino da cadeia de respostas de trás para frente. Por exemplo, considerando a cadeia de respostas: Abrir a torneira – Molhar as mãos – Ensaboar as mãos – Enxaguar as mãos, começaríamos dando ajudas leves e reforçando apenas a resposta de enxaguar as mãos. As respostas anteriores seriam feitas junto com a criança (ajuda física total). Quando a criança aprender a resposta de enxaguar as mãos, ou seja, quando ela fizer isso de forma completamente independente, começamos o treino da resposta de ensaboar as mãos. Então, neste momento, fazemos o abrir a torneira e o molhar as mãos junto com a criança (ajuda física total), damos ajudas mais leves para ensaboar as mãos e reforçamos esta resposta diferencialmente e, finalmente, a criança enxágua as mãos de forma independente (afinal ela já aprendeu esta resposta na etapa anterior). E assim, de trás para frente, vamos gerando independência na cadeia toda.
Além das ajudas motoras, que devem ser dadas da mais intrusiva (ajuda física total) para a mais leve (ajuda gestual), também é muito útil a utilização de pistas visuais (Pierce e Schreibman, 1994), ou seja, fotos de cada resposta que compõe a cadeia para a criança ir acompanhando durante a execução. Utilizamos as pistas visuais quando a criança já faz toda a cadeia de respostas apenas com ajudas gestuais do adulto. O objetivo, neste momento, é transferir a dica do adulto para as fotos e, assim, o adulto pode começar a se retirar do ambiente durante a execução da atividade. Para isso, tiramos fotos de cada etapa da tarefa, por exemplo, no banho, fazemos uma foto da criança ligando o chuveiro, outra foto dela se molhando, outra foto dela pegando o shampoo, outra foto dela ensaboando a cabeça, etc. Então, ao invés de dar dicas motoras ou instruções verbais, o adulto só mostra cada foto, para a criança iniciar a resposta. Com o tempo, pode-se deixar a sequência de fotos plastificadas pregada na parede dentro do box para a criança seguir sozinha e, então, o adulto pode não ficar mais por perto.
Outro formato de estimulação visual que pode ser utilizado é o video modeling (Benamou, Lutzker e Taubman, 2002). Este procedimento consiste em mostrar um vídeo de alguém (do interesse da criança) executando uma atividade de vida diária imediatamente antes de a criança executar esta atividade. Este procedimento só deve ser utilizado quando a criança já tiver aprendido cada uma das respostas que compõem a cadeia, o vídeo é usado apenas como um lembrete da cadeia a ser executada.
Todo este treino deve ser registrado pelo aplicador (pais ou cuidadores), para que o analista do comportamento possa analisar o processo e dar novas orientações.
Referências Bibliográficas:
Benamou, R. S., Lutzker, J. R. & Taubman, M. (2002). Teaching Daily Living Skills to Children with Autism Through Instructional Video Modeling. Journal of Positive Behavior Interventions, 4 (3), 166-177.
Catania, A. C. (1999). Aprendizagem: Comportamento, Linguagem e Cognição. (D. G. de Souza, Coord. Trad.) Porto Alegre: Artes Médicas. (Trabalho original publicado em 1998).
Pierce, K. L. & Schreibman,L. (1994). Teaching daily livings kills to children with autism in unsupervised settings through pictorial self-management. Journal of Applied Behavior Analysis, 27 (3), 471-481.
Retirado de: http://comportese.com/2013/04/autismo-estrategias-para-aumentar-a-autonomia-nas-atividades-de-vida-diaria-avds/
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