quarta-feira, 15 de julho de 2015

Currículo de alunos com necessidades especiais passa a incluir treino vocacional

As escolas devem incluir programas específicos de treino vocacional nos currículos dos alunos com necessidades educativas especiais, três anos antes de atingirem a idade limite da escolaridade obrigatória, determina uma portaria do Ministério da Educação publicada no domingo.
A medida destina-se às crianças com Currículo Específico Individual (CEI) e visa regular o ensino de alunos com 15 ou mais anos de idade, no sentido de assegurar a transição para a vida pós-escolar.
A escola deve, assim, “incluir programas específicos de transição e treino vocacional que os prepare para, depois de saírem da escola, serem membros independentes e ativos das respetivas comunidades”, lê-se no diploma.
Em comunicado emitido no domingo à noite, o Ministério da Educação explicou que passará a competir à escola definir as cargas curriculares de forma a conseguir adaptá-las à especificidade de cada um destes alunos, bem como “articular com os parceiros da comunidade no sentido de diversificar os apoios e atividades necessários para que os alunos desenvolvam as suas capacidades”.
No decurso da concretização do plano os alunos “poderão ter experiências laborais em instituições da comunidade, empresas, serviços públicos ou outras organizações a identificar pela escola que podem ter o apoio de Centros de Recursos para a Inclusão”.
A organização dos planos individuais de transição (PIT), visa “a consolidação e melhoria das capacidades pessoais, sociais e laborais, na perspetiva de uma vida adulta autónoma e com qualidade”, segundo o documento.
Este plano será elaborado “em colaboração com os encarregados de educação e representantes das organizações da comunidade que vão ser implicados na vida e no percurso do aluno”.
Vai focalizar-se na identificação de atividades ocupacionais “adequadas aos seus interesses e capacidades”, nomeadamente na aprendizagem de tarefas que lhe são atribuídas, na utilização de dispositivos eletrónicos, de serviços públicos da comunidade, entre outros.
Caberá à escola definir os tempos de cada uma das componentes da matriz curricular orientadora.
O ministério adianta que, tendo em conta a especificidade das atividades que os professores devem promover com os alunos, será desenvolvido progressivamente um programa de formação para os docentes “com perfil adequado ao trabalho a desenvolver”.

sábado, 11 de julho de 2015

Primeira mesa digital com jogos educativos

ludopedagogia, introdução de brincadeiras no ensino, ou melhor, o “aprender a brincar”, inspirou a criação da PlayTable. “A brincadeira é o mais completo dos processos educativos, pois desenvolve as áreas cognitivas, psíquicas e motor das crianças. A brincadeira exige concentração e desenvolve a iniciativa, a imaginação e o interesse. Ela torna os alunos mais curiosos, observadores e focados”, explica Sieves, que é especialista em ludopedagogia.
A Playmove possui uma equipa multidisciplinar, com conhecimentos específicos em diversas áreas, desde a criação, design, programação e a própria ludopedagogia. Deste trabalho é que surgem jogos e aplicativos, que encantam e divertem as crianças e, ao mesmo tempo, trabalham diversos estágios de desenvolvimento, além de proporcionar conhecimento em várias disciplinas.
A PlayTable é destinada a crianças a partir de três anos e pode ser utilizada para entretenimento e no processo de ensino e aprendizagem, em escolas da educação infantil e ensino fundamental, nos segmentos público e privado.
Os jogos e aplicativos inseridos na mesa são baseados nas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica e projetados por professores especialistas em alfabetização, matemática, arte, língua inglesa, ciência e outras disciplinas, aliadas à ludopedagogia e especialistas no desenvolvimento de jogos.
playtablecriancas
A PlayTable foi lançada em 2014 e já está em uso em mais de 350 escolas em todas as regiões do Brasil.

Nova legislação para alunos com CEI maiores de 15 anos

A Portaria n.º 201-C/2015 revoga a Portaria n.º 275-A/2012 e regula o ensino de alunos com 15 ou mais anos de idade, com currículo específico individual (CEI), em processo de transição para a vida pós-escolar, e aplica-se à organização dos planos individuais de transição (PIT) de alunos com CEI.

Para consultar em detalhe seguir a seguinte ligação: 
https://dre.pt/application/conteudo/69778954

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Planos Individuais de Transição e Programas de Formação Vocacional – Preparar o Futuro

Ao finalizar mais um ano letivo, o Departamento de Educação Especial do Agrupamento de Escolas Marinhas do Sal, destaca as várias atividades dinamizadas no âmbito dos Planos Individuais de Transição (PIT) ou Programas de Formação Vocacional, desenvolvidas por seis alunos com Necessidades Educativas Especiais e com Currículo Específico Individual.

As atividades possuíam um cariz vocacional/profissional e enquadraram-se no perfil vocacional e nas competências funcionais de cada aluno. Estas realizaram-se fora do espaço escolar, inseridas na comunidade local, em contexto real de trabalho, à exceção de mecânica que decorreu na Escola Profissional de Rio Maior.

Os alunos Luciano Rodrigues, do 6.º B, Igor Nogueira, 7.º A, e Marcelo Pires, do 9.º C, foram acompanhados pelo monitor João Gomes na oficina de mecânica, na Escola Profissional de Rio Maior. Esta experiência permitiu aos alunos adquirir conhecimentos básicos sobre ferramentas e materiais e a sua utilização, assim como desenvolver habilidades manuais, executando pequenos trabalhos que orgulhosamente exibiram na exposição de final de ano.

A esteticista Natércia António recebeu, no seu Gabinete de Estética, a aluna Marisa Monteiro, do 8.º B, e com ela desenvolveu atividades na área da manicura. Esta profissional, nas várias sessões, procurou sensibilizar a aluna para questões de cuidados pessoais e de estética, partilhar conhecimentos sobre instrumentos e materiais e aconselhar formas de atendimento ao público.

O salão Modos & Jeitos recebeu a Soraia Silva, do 9.ºC, para uma experiência vocacional como ajudante de cabeleireiro. Os cabeleireiros Sílvia Costa e Valério Santos orientaram, atentamente, a aluna proporcionando-lhe conhecimentos básicos alusivos à utilização de instrumentos e materiais necessários às tarefas num salão de cabeleireiro, bem como algumas técnicas elementares de pentear.

A educadora Maria dos Anjos acolheu, no Centro Escolar n.º 1, a aluna Jéssica Santos, também, do 9.ºC, para desenvolver atividades como auxiliar de educação pré-escolar. Neste âmbito, a aluna participou nas rotinas diárias e colaborou nas atividades da sala/Centro Escolar. A Jéssica ainda preparou e dinamizou, com grande à vontade, a leitura de dois livros, na sala, que foram acompanhados por atividades de expressão plástica, cuidadosamente preparadas no atelier de Recicl’arte.

As experiências vocacionais/profissionais proporcionaram o desenvolvimento pessoal dos alunos, fomentando a autoestima, autonomia, responsabilidade e as relações interpessoais com várias gerações, perspetivando a sua inclusão social e laboral.

Os Planos Individuais de Transição (PIT) ou Programas de Formação Vocacional foram exequíveis devido às parcerias estabelecidas com instituições e empresas e à sensibilidade e disponibilidade dos vários monitores, que colaboraram na programação das atividades, no acompanhamento e na monitorização do desempenho dos alunos.


O nosso bem-haja a todos.


Luciano e Igor constroem as suas árvores de Natal, na Escola Profissional de Rio Maior
Supervisão do monitor João Gomes e o empenho dos alunos

Trabalho de equipa: esteticista Natércia António, a aluna Marisa e a Beatriz, a "cliente" amiga

O bem embelezamento das unhas

As primeiras atividades da Soraia acompanhadas de perto pela cabeleireira Sílvia Santos


Como secar o cabelo a uma cliente!

O prazer da leitura

Os pequenos grandes "artistas" orientados pela Jéssica


quinta-feira, 18 de junho de 2015

Arraial de final de ano

No dia 12 de junho, sexta-feira, realizou-se o arraial de encerramento de ano letivo na sede de agrupamento.

A animação e o convívio foram evidentes entre todos os presentes. Houve lugar para enaltecer os alunos, atletas do Desporto Escolar, e a entrega de prémios pelo diretor do agrupamento.
Também foi dado a conhecer a toda a comunidade escolar o trabalho desenvolvido ao longo do ano letivo numa grande exposição.

A Educação Especial participou na exposição, apresentando muitos dos trabalhos produzidos, especialmente, nos ateliers existentes no âmbito do projeto "Aprendizagens para a Vida".


Exposição de final de ano da Educação Especial

Expressões - atelier desenvolvido no âmbito do projeto "Aprendizagens para a Vida"


O Desporto Escolar esteve exposto com a modalidade do BOCCIA, onde se pode ver fotografias da equipa vice-campeã nacional e o atleta campeão nacional.

BOCCIA em destaque na exposição do Desporto Escolar

Foi um ano intenso em trabalho e em emoções, ao lado de uma grande equipa, que alcançou em toda a plenitude todos os objetivos a que se propôs.

Para todos, ficam os votos de um bom final de ano letivo e umas merecidas férias.

Até para o próximo ano letivo!!!

quinta-feira, 11 de junho de 2015

UMA AVENTURA NO JARDIM ZOOLÓGICO

No dia 8 de junho, segunda-feira, os alunos e as professoras de Educação Especial visitaram o Jardim Zoológico de Lisboa.

O dia estava quente e muitos animais estavam a descansar à sombra. Mesmo assim, muitos deixaram-se ver e pudemos apreciar a sua beleza.

O almoço foi divertido e cantou-se os parabéns às aniversariantes a professora Fernanda e a aluna Andreia. Com direito a bolo e tudo!

A visita guiada deu-nos a conhecer pormenores interessantes de alguns animais e pudemos tocar numa pele de cobra, em penas e em cascas de ovos. A guia foi muito simpática e respondeu sempre às perguntas colocadas pelos alunos.

Alguns dos alunos, mais ousados, foram pelo teleférico ver os animais do zoo. Foi uma experiência fantástica! Outros, mais comedidos, foram conhecer o zoo no comboio.

Um dia bem passado, onde se aliou o lazer à consolidação de aprendizagens.

Chegada ao Jardim Zoológico
A espreitar o rinoceronte branco a dormir à sombra
O gorila estava atento aos visitantes

Almoço animado em grupo

Parabéns à Professora Fernanda e à aluna Andreia!!!
Junto das aves, a guia mostrou as penas
Belos pescoços que as girafas têm!
Os mergulhos dos leões marinhos
Pudemos tocar em pele de cobra e ver cascas de ovos...
Início da viagem no teleférico

Em plena viagem no teleférico

Preparados para ver o espectáculo dos Golfinhos

As focas deram o ar da sua graça no início do espectáculo

Os golfinhos deram um show de energia e graciosidade

Um dia em grande no Zoo!!!

terça-feira, 9 de junho de 2015

Está lançado o primeiro livro sobre processamento auditivo em Portugal

29-05-2015 | Catarina Dias. in Jornal Online UMINHO

Distúrbio atinge 5% das crianças, tendo consequências no sucesso académico, na socialização e, em alguns casos, na gaguez e dislexia, diz Cristiane Nunes, do CIEC.




A perturbação de processamento auditivo (PPA) atinge 5% das crianças portuguesas, tendo consequências no sucesso académico, na socialização, na realização das tarefas do dia-a-dia e, em alguns casos, na gaguez e na dislexia. O Serviço Nacional de Saúde ainda não financia os exames e o tratamento deste distúrbio, caracterizado pela incapacidade em interpretar sons. A área de estudo chegou a Portugal em 2008 através da fonoaudióloga Cristiane Nunes, que acaba de publicar o primeiro livro dedicado ao tema no país. A obra é baseada no doutoramento feito no Centro de Investigação em Estudos da Criança (CIEC) da UMinho.
 
Esta publicação vem preencher uma lacuna científica e literária existente num país onde “nem sequer existiam testes de avaliação e profissionais a trabalharem na área”. A tese de doutoramento começou pela elaboração de testes padronizados para a população portuguesa, recorrendo a uma amostra de 60 crianças dos 10 aos 13 anos – a base de dados contém hoje mais de 500 pacientes. A seleção dos participantes foi “demorada”, principalmente devido à confusão generalizada entre PPA e surdez. A investigadora Cristiane Nunes realça a diferença: “Enquanto uma pessoa surda nem sempre consegue detetar os sons, a que tem PPA apresenta dificuldade em interpretar o que ouviu e perceber mudanças acústicas rápidas. Além disso, costuma demorar mais tempo para processar a informação que passa pelo nervo auditivo”.
 
Hein? Pode repetir?
 
Os resultados obtidos a partir dos testes padrão desenvolvidos no CIEC mostram que as crianças com problemas de audição apresentam maior dificuldade no desempenho escolar, na comunicação, na leitura, na escrita e na articulação. Mais especificamente, 83% dos participantes com baixo desempenho nos testes de PPA tinham notas inferiores aos restantes colegas. “Alguns não conseguiram repetir, por exemplo, um conjunto de números depois de os ter ouvido ou distinguir entre sons curtos, longos, agudos e graves. Isso tem implicações na leitura, escrita, fala e na forma como a informação é interpretada”, afirma.
 
Os sintomas associados variam em função da idade e da intensidade da perturbação. Em crianças com menos de 5 anos, verifica-se um atraso na aquisição da fala e, especialmente, dos sons “r” e “l”. Daí trocarem muitas vezes “prato” por “plato”, por exemplo. A partir dos 7 anos, recorrem a expressões como hein? e quê?, são mais distraídos e não percebem de imediato o que dizem o professor e os colegas em contexto de trabalho de grupo. Sem tratamento, o problema arrasta-se para a vida adulta, tendo repercussões no sucesso profissional, social e amoroso. 
 
Consultas resolvem quase todos os casos
 
Os diagnósticos podem ser obtidos a partir dos 6 anos. A quase totalidade das crianças normaliza após a realização de exercícios e técnicas que estimulam a formação de novas conexões no nervo auditivo. O segredo está no tratamento precoce da perturbação, diz a especialista, que no seu livro recomenda o envolvimento dos educadores no processo de deteção. “Há testes do CIEC capazes de detetar os casos mais graves. Se fossem aplicados no início do 1º ciclo, poder-se-ia eliminar pelo menos metade das ocorrências. O objetivo é identificar os alunos mais afetados e reencaminhá-los para um audiologista ou terapeuta da fala”, realça. O tratamento personalizado pode, por exemplo, ajudar em caso de gaguez e atraso na linguagem, além de munir as crianças disléxicas de estratégias para melhorar a sua leitura e escrita. 
 

A PPA é discutida desde a década de 1950 nos EUA e, pelo menos, desde 1980 no Brasil. Por cá, o tema é pouco abordado. “O Estado não comparticipa os exames e o tratamento, serviços que também só estão disponíveis em cinco ou dez locais. Ainda há um longo caminho a fazer”, reforça. “É preciso sensibilizar os pais, os educadores, os psicólogos e a sociedade civil para a gravidade desta perturbação na vida das pessoas afetadas”, conclui.